quinta-feira, 15 de novembro de 2012
O CONHECIMENTO SILENCIOSO
A salvaguarda da pessoa comum geralmente são os
recursos do mundo comum. Sendo esse o principal motivo pelo qual
não busca um novo modo de vida para uma realização maior.
Satisfaz-se com pequenas conquistas, fazendo as coisas de sempre, numa rotina maçante, sem sentido, nem conteudo. Não consegue apreender da vida mais que o corriqueiro, dado que o nivel de percepção depende do nivel de desenvolvimento da consciencia.
Não é de arrepiar não ter nada pela frente a não ser a rotina
e as coisas de sempre, fazendo sempre tudo igual ? Depois envelhece, fica cansado, o olhar se turva e a alma murcha. Na sua
cadeira de balanço seus pensamentos fogem para o tempo em que ainda fazia as coisas que sempre fez. Nada mais para recordar,
tampouco para viver. A vida que não foi vivida, não haverá vida para ser lembrada. Pode haver desperdicio maior ?
Em constante preocupação consigo mesmo, se sente
inseguro, desprotegido e carente. Considera-se vulneravel por não
conseguir conexão em outros dominios a não ser as interminaveis
preocupações de todo dia. Sem satisfação, desfavorecido, sentimento de culpa por tanta coisa, e, para complicar, uma auto-estima de dar dó. E sua vida se resume a isso. Dar conta
das pequenas coisas, dos problemas de todo dia e ir levando como
Deus quiser.
Sempre com pressa, não conseguindo desfrutar. Por isso se agita, engolindo a vida com a mesma premencia de quem come de pé sem tempo e sem prazer. Assim como o alimento, a vida se torna, de igual modo, insossa.
Continua levando a vida de sempre, fazendo tudo do mesmo modo, dia apos dia, a vida toda, aos empurrões, sem tesão nem energia, por não haver disposição nem estimulo para adotar um
novo modo de vida, buscando o conhecimento ou se empenhando
em algo diferente, questionando alternativas, abrindo paradigmas
ou simplesmente descartando "verdades" já sem sentido nem coerencia.
Mudar doi, sem mudanças, no entanto, o sofrimento
é de outro nivel, de proporções sem igual.
Existe mais vida para ser vivida que a vida miuda a que estamos habituados. Quando se renuncia ao verdadeiro conhecimento o despertar da consciencia se torna impossivel.
Buscará então o poder como substituto à verdadeira transformação
pessoal. Se lançará em cruzadas inconsequentes e temerarias, recorrendo às conquistas, façanhas e triunfos a satisfação que, de outra forma, não consegue reconhecer.
Talvez até consiga ter o mundo em suas mãos. Transformar-se no senhor da vida e da morte. Em contrapartida, terá negado a si mesmo, incapaz de se descobrir ou entender. Ainda está ansioso, ainda haverá medo, e o vazio de si não terá sido preenchido nem compensado.
Ainda espera, ainda busca, se agarrando ao mundo como
salvaguarda do seu mal-entendido. Não há silencio, entusiasmo ou
calmaria, pois a verdadeira tranquilidade nasce quando deixa de haver a necessidade de sentir-se engrandecido ou importante pelo
que se tornou no mundo da realização.
A auto-imagem se torna, desse modo, a marca do homem moderno. Busca consolo nesse reflexo, pois de outra forma, que foi
que sobrou ? Se refugia num mundo de aparencias, reforçado por
uma representação de destaque e respeito. Seu senso de valor
extrai dessa figura desenhada por seus feitos e aquisições.
Sente medo, por isso se torna inevitavel a criação de uma realidade que sirva de escudo. Suas defesas nada mais são que um reflexo da sua fragil e vulneravel realidade interna.
Quando se torna desprendido, se torna tranquilamente vigoroso.
Nada a esperar, mas suas escolhas são estrategicas, por isso executa suas tarefas com vontade e uma eficiencia desmedida.
Torna-se sabio. Adquire paciencia e compreende o verdadeiro
significado da vida. Sem pressa para chegar, assim obtem resultados. Focado no que está aí, no seu entusiasmo, comprometido com esse momento e não com aquilo que segue,
colocações ou circunstancias.
Na paciencia não há ansiedade nem espera, pois não
há o que esperar. Virá, mas sem tensão nem esforço. Organiza a
vida de maneira estrategica, por isso se torna eficiente frente suas escolhas e atuação.
Nesse contexto, começa a perceber-se diferente porque uma especie de poder começa a fazer parte do seu dia a dia. Um poder que emana dele proprio e que irá se menter enquanto permanecer fiel ao seu processo.
Está no mundo mas o poder não virá dele. Procede da
conexão que fez consigo mesmo estando no mundo. Nessa circunstancia, chega ao verdadeiro conhecimento, o conhecimento silencioso dentro do qual virá a saber, finalmente, quem é.
domingo, 11 de novembro de 2012
" A INCRIVEL BOA SORTE "
Tanto sonhou que perdeu a esperança.
Não parece estranho ? Aprendemos que a espera conforta, traz consolo e nos resgata das frustrações de uma vida que não conseguimos dar sentido nem significado.
Se for ver, verá que a espera paraliza pela imobilidade psiquica que estabelece. Abrir mão desse momento para estar bem num outro tempo, bloqueia o fluxo de energia, levando a um movimento de contração da atividade psico-fisica, com consequente letargia e perda da vivacidade . E porque haveria de ser diferente ? Seria, por ventura, o desconforto interno pelas circunstancias atuais, o pré-requisito ou o passaporte para um tempo mais venturoso num tempo vindouro ? Isto é, o infortunio presente servindo como atalho para redenção futura. Ou, simplesmente, por não estar bem agora, estarei bem depois.
Preocupado agora com o depois é o reflexo inconteste da importancia do amanhã e a consequente inutilidade desse momento. Por essa razão, a utopia dos sonhos seria o refugio mais pertinente para livrar-se do abatimento e a falta de relevancia do momento presente. A frustração atual servindo de solo fertil para expectativas promissoras. O sofrimento como moeda de troca para satisfação e bem estar futuros .
Claro que queremos estar bem nos tempos que virão, entretanto isso não se torna possivel atraves da exaustão e do desperdicio de
energia que as fantasias nos impõe.
Quando a visão se encontra focalizada nos eventos futuros, desempenhando o resgate do vazio existencial, se negligencia, no mais das vezes, a que somos chamados para coisas do dia a dia.
Nos dividimos. Enquanto o corpo permanece presente, a mente se desloca para um mundo de ilusões fantasiosas. Com isso, a pouca energia disponivel será transformada num mundo virtual feito de imagens deslocadas no tempo. Um mundo visionario onde nos transformamos em paladinos de faz de conta. Herois de contos de fadas que nos contamos a nós proprios como se fossem historias reais.
Nos distraimos em esperar, desperdiçando energia. E quando abdicarmos disso, descansamos finalmente. O pesadelo termina. Dom Quixote, ao viver seu sonho impossivel, em delirios desatinados, descansou, por fim, na propria demencia e insensatez desvairada. A quimera, pela qual estivera obcecado, fascinou a tal nivel de transformar-se em cativeiro. Refem do seu sonho, não
encontrou o caminho de retorno para a vida.
Independente das circunstancias externas desfavoraveis, abdicar desse momento em busca de refugio num mundo de sonhos e expectaticas, com certeza, não trará a paz que
se queira, nem a satisfação que nos falta.
"Perdi a fé na vida", me confessa decepcionado um amigo, com voz, olhar e postura de decepção. E continuou a desfiar sua cantilena de desgraças. Dinheiro minguado, sub-emprego, filhos doentes, esposa depressiva, contas ... etc, etc, etc .
O ouvinte incauto, que não estivesse devidamente atento, bem que poderia tornar-se presa facil da crença de que a vida é realmente esse inferno.
A vida, a bem da verdade, não é nem encantadora, tampouco intoleravel. Apenas se adapta ao nosso comando interno
de satisfação ou queixume lamentoso. Presente ou ausente do fluxo da vida de cada instante.
Ao abrir mão das coisas desse momento, sendo elas tediosas ou não, tornando-se um mero espectador esperançoso de um futuro salvador, descuidando, portanto, do que está aí, irá, sem duvida, atolar-se cada vez mais em mais descontentamento e sandice.
A realidade externa é criação do sentimento interno desse momento. O que sinto agora, vira forma logo aí adiante. A contrariedade com as circunstancias atuais, se transformará no seu equivalente em vivencia de vida.
Dias desses comentava com uma bergamoteira a respeito da esperança. Percebi que ela ficou intrigada, com ar confuso, assim como fica quem ouve falar de algo que não entende, ou por não adaptar-se ao seu sistema de crenças, tornando-se, desse modo, incongruente e totalmente estranho.
A coerencia diz respeito ao que tem significado e faz sentido em nossa vida. E foi por isso que ela retrucou enfatica : não sei do que está falando. O que é isso que chama de esperança ?
Nesse instante me dei conta que a bergamoteira não tem de fato necessidade "disso que chamo de esperança", principalmente ao
contemplar sua exuberancia e beleza, seu brio, energia, confiança e determinação.
Criamos a partir do quanto formos capazes de nos encantar. Criação e sistema de crenças, não são mais que causa e efeito de uma ordem maior que vincula o visivel e o invisivel, a forma com sua fôrma. O molde não é a coisa, mas esta é determinada por aquela.
O mundo é moldado, isto é, criado a partir de um molde.
Assim, para cada crença, a sua realidade correspondente.
A esperança gera ansiedade, expectativa, impõe espera
para estar bem. Esperar, diminui o nivel de energia, que representa a materia prima da criação. Portanto, energia escassa, realidade compativel.
Mas, quando estiver aí, com aquilo que cada instante traz, a
pessoa será acometida de uma rara estabilidade emocional, clareza
de pensamento, e um poder aumentado de concentrar-se nos seus atos que normalmente não possui. Haverá paz, contentamento e uma profunda sensação de bem estar. O fluxo de energia aumentará
de um modo extraordinario, o que, por sua vez, se refletirá na
sua capacidade de realizar.
Não seria isso, por acaso, o que se chama de "incrivel
boa sorte " de algumas pessoas ?
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
A ESPERANÇA FRAGILIZA
Delegar ao futuro uma vida de bem estar, paz, plenitude ou segurança, debilita o ser humano.
A esperança fragiliza ( surpreso ? ). As expectativas futuras carregam a solução para todos os impasses de uma vida sem significado e conteudo. Uma vida sem graça, sem sentido, sem tempero.
Desse modo, o futuro se torna uma possibilidade magica, uma ilusão paranoica, que nos libertará de todos os conflitos e inquietações do dia a dia, de todos os dias, para os quais não vislumbramos alternativas de solução. Seremos lá, então, livres e felizes para desfrutarmos a plenitude de uma vida tão sonhada e aguardada com tanto interesse. Ultimo refugio quando a vida perdeu o encanto e a capacidade de nos maravilharmos. Antes que nada, ao menos a esperança !
Na espera existe investimento de energia. A pessoa desloca-se energeticamente para o futuro, abdicando desse momento, o que, por sua vez, o tornará, mais arido, enfadonho e sem perspectiva. Buscará, desse modo, nas visões futuristas, a solução para os seus embaraços, dificuldades e desencantos.
Dentro dessa visão, o mal de agora poderá, por fim, ser recompensado ... depois ... quando o depois chegar !
A esperança fragiliza em consequencia dessa dissipação de vigor e alento. Projetado para o futuro, esvaziamos esse momento de qualquer qualificação e legitimidade. Vale apenas pela sua possibilidade de nos fazer sonhar. Ponte para as ilusões de
um tempo de utopia..
Por essa razão, a espera nos torna dependentes. Vira droga, e como tal, nos torna viciados em esperança. A gente sofre, e no mais das vezes, não sobra mais que a esperança.
Abdicamos do poder desse momento, identificando-nos
com uma imagem futura, um tempo onde a satisfação será por fim
resgatada, pois os objetivos terão sido, finalmente, realizados.
Nesse contexto, a pessoa estará em constante estado de inquietação, de encolhimento tornando-se retraida, levando a uma situação de contração, tanto a nivel corporal, quanto psiquica. Esse estado de contração energetica gera as condições ideais para a instalação de toda forma de enfermidade e desequilibrios.
A esperança adoece porque fragiliza o individuo ( não é confortavel ouvir isso, contudo... ). Vivemos num universo que é determinado, em ultima analise, por energia. Tudo é energia. Materia não passa de energia condensada. E, para criar a forma, a energia torna-se indispensavel, materia prima da criação. Einstein provou matematicamente o que já era consenso dos sabios da antiquidade. O povo futurista, no entanto, desconhece o principio da lei. Aposta na quimera sua percepção de felicidade.
A falta de energia é o que determina a dificuldade de concretizar, realizar, gerando, dessa forma, uma realidade carente, confusa e sem sentido.
Doença, sofrimento, privação, tristeza, angustia, são apenas outras
formas de conceituar niveis minguados de energia.
O momento presente que não ambiciona, é completo em si mesmo. Ele se basta, É auto-suficiente. Traz EM SI MESMO a energia para estar bem. Há satisfação. E satisfação motiva, leva à realização pessoal.
Está bem. Se sente bem, por isso faz bem feito. E quem faz bem feito, tem sucesso naquilo que faz. Está pelo prazer, pela curtição.
O gostoso é estar aí, sem esperar nada, sem objetivos, interessado apenas na sua satisfação interna, na alegria que sente por estar se dando por inteiro, se experimentando, se realizando.
Isso não significa que não haja empenho, determinação, boa vontade e um profundo envolvimento. Está focado, mas o foco
está naquilo que está aí, compromissado com esse momento.
Se o foco estiver centrado nos resultado, não haverá empolgação,
o entusiasmo terá sido confiscado pela ansiedade do amanhã.
É a alegria a suprema fonte de realização, porque gera energia em abundancia. E a energia tomará forma, criando possibilidades sem fim.
Para tanto, torna-se necessario escolher a alternativa adequada e, de imediato, identificar-se totalmente com ela. Comprometimento ( gosto desse termo ). Sem comprometer-se, não há verdadeiro envolvimento.
Pactuou com o futuro, com suas falsas promessas, esperando viver bem depois, quando... quando.... quando ? Ou fez a escolha por tudo que está aí, estando consigo e com tudo que esse momento oferece ?
Existem duas naturezas de pessoas. As que esperam estar bem depois, e as que encontram satisfação naquilo que estão fazendo agora, não tendo que projetar-se no futuro para, somente então, sentirem-se realizadas. O poder está em suas mãos, o poder de fazer escolhas, decidindo-se por esse momento.
E isso é SUFICIENTE. Nada mais se torna necessario. Sem perspectivas de alcançar qualquer objetivo futuro, sem esperar nada, mas com o olhar fixo naquilo que está aí. Integrado na totalidade desse instante. Presença plena, honrando cada aspecto de qualquer movimento, alerta, atento e cauteloso.
Com essa concepção tudo acaba fluindo com naturalidade, sem esforço, como se fosse mandinga. A mandinga que acerta as coisas. Tudo se facilita, sem chateações, entraves ou dificuldades. O tico-tico me falou que é assim que as coisas que dão certo funcionam. E nunca vi nenhum deles que apresentasse
depreção ou estivesse triste. Existe tico-tico preocupado ?
Os caminhos se abrem em função de uma mudança interna, uma mudança de percepção, o que determina um acrescimo
continuo e constante no fluxo da energia.
Sem pressa, sem se obrigar a nada, nem centrado em resultados. A satisfação não está pelo que possa vir, mas pela curtição do que está aí. Sintonizado consigo mesmo enquanto faz o que está fazendo. Está solto, dentro do seu movimento, no seu pique e não comprometido com beneficios ou vantagens.
É por isso que as coisas vem de um jeito facil, como quem está acima de todas as complicação da vida. Virado para a lua ?
Não é isso que recebe o nome de sorte ? A sorte acontece quando está envolvido com esse momento, quando o assumiu INTERNAMENTE, quando fez a escolha de estar aí, sem se empurrar para objetivos futuros. Sem se forçar para nada. Escolheu estar bem AGORA. Apenas isso; o que acaba se transforma em aposta, atitude, uma opção. E como tal, identifica-se com ela, esquecendo resultados, ganhos ou seja lá o que for que o futuro possa trazer.
O futuro não existe para quem vive apenas esse momento.
As coisas não vem pela força da esperança, mas pela opção de não esperar. Os sonhos existem quando se perdeu o encanto de estar
aqui, a empolgação, a magia que cada momento traz. Se estiver atento, perceberá que este momento é magico.
Qual o objetivo dos sonhos se está bem agora ?
A felicidade procurada nos escapa sempre. Crescemos
quando finalmente abrimos mão da esperança de um dia sermos
felizes. A alegria que não for capaz de viver nesse instante, não será
possivel de ser vivida em outra circunstancia.
Dar continencia à vida é uma caracteristica daquele que assume
cada momento.
É por não esperar, que ganha sempre. O mito de Dom Juan o confirma plenamente. O futuro não é outra coisa que a projeção desse momento para dentro do tempo. É por isso que o futuro é sempre agora. Caso transforme o agora em futuro, perderá ambos.
E isso recebe o nome de sofrimento.
Esse momento não necessita de futuro para estar bem. É completo por si mesmo. O que é poderoso dispensa ostentação de grandeza. Todo o poder do universo está concentrado nesse momento. Porque procurá-lo em outra instancia ?
Quem decide refugiar-se em outros contextos daquilo que está aí, barganhando com passado ou futuro, em busca de consolo para o vazio da vida, estará abdicando do seu poder. Criará um universo que irá refletir essas escolhas. Dor e sofrimento são sempre consequencia dessas escolhas inadequadas.
SÓ É POSSIVEL ESTAR BEM AGORA. Não existe outro tempo ou circunstancia para mais. Tudo o que há, é agora, que contem todas as possibilidades para realizar, se encantar, emocionar e criar.
Esse momento pode não ter nada de especial para relatar,
afinal está apenas fazendo o seu trabalho de todos os dias,mas não
é por isso que deixa de emocionar. Comove por sua singeleza, pelo seu silencio, por sua sutileza. Por estar presente. E é pela nossa presença que ele se torna vivo, poderoso, a fonte inesgotavel de toda energia. O poder desse momento só pode se manifestar atraves desse estado magico de presença.
A magia é essa. Ao tornar-se presente saberá que esse momento é apenas uma outra forma de dizer Deus.
E se Deus pudesse ter um apelido, bem que poderia ser :
" AGORA, ISTO AQUI ! " Nome e sobrenome...
domingo, 28 de outubro de 2012
O TERRIVEL " MAL DOS SABIÁS "
Historias malucas as ouvimos, todos nós, quase todos os dias, vindas das mais diversas fontes, com tematicas de todas as matizes, ora inusitadas, outras, nem tão surpreendentes, mas todas, sem duvida, de uma forma ou outra, nos afetam, comovem, pondo-nos pensativos.
Historias que tocam, seja por seu aspecto grotesco, sua comicidade, ou então pelo enfoque pungente, angustiante, exemplo das grandes tragedias, sejam elas individuais ou coletivas. Sensibilizam pelo intenso sofrimento que infligem, e, particularmente, pela sensação de desesperança que evocam, mesmo no mais indiferente dos humanos.
A tragicomedia humana encenada no palco dos fatos da vida.
A dor na manifestação da tragedia mais execravel, ou da comedia
mais surpreendente pelo seu inusitado desfecho.
Seja pai violando seus filhos, marido vitimando a companheira,
familiares brutal e bestialmente exterminados, tragedias da natureza, onde a coletividade é atingida, ou o ladrão incauto, entalado na chaminé da lareira, gritando por socorro.
Aterrorizante ou engraçado, seja o fato da natureza que for, o sofrimento, no entanto, estará sempre presente, dessa ou
daquela forma.
.....................................
Parei de escrever e reli o que havia escrito até esse momento.
Fiquei surpreso com o que havia escrito, pois o objetivo a que me havia proposto para essa conversa, não tinha nada a ver com tragedias ou eventos de grande sofrimento.
Queria apenas repassar a historia, verdadeira ou não,
( nunca se sabe ), que Ghi Belique, dia desses, havia-me contado. O tema do enredo girava em torno de uma mulher que, praticamente, havia endoidado .... devido aos sabiás.
Sempre que nos encontramos, não deixo de apreciar seu
senso teatral, seu humor cativante e suas exposições engraçadas,
ora comicas ou jocosas mas nunca deixando de ter um ar espirituoso e divertido.
E a historia que me conta, é apenas mais uma das tantas historias malucas que ouvimos todos os dias. Contudo, maluquice à parte, no dizer do amigo, a dita senhora estava à beira da insanidade devido... aos sabiás.
O raiar do dia era a hora do seu maior tormento, o instante
crucial, um verdadeiro martirio do qual não era capaz de se livrar.
O canto calamitoso, de saudação ao sol, do maldito bicho emplumado.
Dona Juvencina encontrava-se aos cuidados de especialistas renomados, peritos das mais diversas areas de especialização, que investigavam, com obstinação, a surpreendente morbidade, tentando resgatá-la do seu mal, o intenso sofrimento a que estava sendo submetida.
Medicamentos de ultima geração haviam sido testados, debates acalorados, exames sofisticados, discussões interdisciplinares, questionamentos a não poder. Por fim, sessões de psico, sono, quimio e radioterapia tambem foram aventados, o mal, no entanto,
se aprofundava dia apos dia, restando pouca esperança quanto a reversão do caso.
A terrivel enfermidade foi até catalogada no Codigo Internacional de Doenças como o "mal dos sabiás". A essa altura havia uma conjunção de forças da medicina high tech, das maiores autoridades globais, tentando debelar o misterioso disturbio da dona Juvencina; a essa altura, ela propria, tambem, não menos afamada, portadora de tão estranha enfermidade.
Ghi Belique, que é por natureza de personalidade um sujeito extravagante e dado a travessuras e provocações quanto seus relatos, deixou-me tambem curioso quanto a exposição, do excentrico mal sofrido pela dita senhora.
- Afinal, que desgraça é essa de "mal dos sabiás", indaguei-o
entre nervoso e desconfiado.
Olhou-me, fixamente, como sempre faz, teatralizando o evento, para dar-lhe importancia, tanto ao evento, como para si
proprio. Seus olhos estavam semi-cerrados, como quem ajusta a visão, para definir melhor seu ponto de vista. Parecia estar olhando atraves de mim. Parecia comico, mas havia emoção no seu relato.
Não havia como não ficar envolvido e tomado por extrema
curiosidade.
Verdadeiro ator do suspense, como quem está prestes a revelar a solução de um extraordinario misterio. Por fim, segredou-me, com voz pausada e em tom quase inaudivel, o verdadeiro terror envolvendo a famigerada historia.
- Sabe como o sucedido foi equacionado ? ( estava euforico, ele proprio impressionado com seu relato bizarro ).
"Caçadores de elite". Isso mesmo, caçadores de elite foram importados de um país distante, verdadeiros mestres na arte de tiro ao alvo .... para exterminar, sem exceção, os possiveis e até improvaveis sabiás existentes. E, foi então que concluiram, graças a deduções sofisticadas de alta engenhosidade, as eminentes autoridades envolvidas, que, sem sabiás, não haveria cantoria e sem cantoria, o "mal dos sabiás" seria, então, definitivamente extinto dos anais da historia da medicina.
Uma grande vitoria, sem duvida, para a medicina, com suas
requintadas tecnologias, mas, sobretudo, a tão almejada paz para dona Juvencina, que, daí por diante, o raiar do dia deixou de ser um suplicio, um momento de sofrimento e tanta desgraça.
Falei que aquilo parecia conto de ficção ou loucura da sua cabeça. E, com o ar mais serio do mundo, me perguntou, porque
eu haveria de pensar que uma pessoa não seria capaz de endoidar devido ao canto do sabiá. Esclareceu que, nesse mundo, tudo é possivel. Enquanto a pessoa não colocar para fora o que é desnecessario na vida, tudo se torna perigoso, pois é capaz de trazer para fora o que há de pior dentro dela.
Eu sabia que estava sendo sarcastico, embora tivesse uma expressão seria e ao mesmo tempo se divertindo com minhas duvidas e estranhezas.
Suspirei fundo, e quando dei por mim, Ghi Belique já
estava longe, envolvido pela multidão dos transeuntes. Ainda o vi,
à distancia, antes de dobrar a proxima esquina.
Passo tranquilo e pachorrento, sem se virar, levantou o braço esquerdo em sinal de aceno, como quem se despede e desapareceu.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
O SEGREDO DOS PARDAIS
Não faça aquilo que não gostar de fazer,
o que não te der prazer, satisfação ou contentamento.
Irá se cansar, ficará doente, frustrado, queixoso e reclamão.
Terá enxaqueca, zoeira no ouvido, noites mal dormidas,
unha encravada e bobeira na cabeça.
Frustração é isso
falta de envolvimento e verdadeiro compromisso,
o comprometimento interno com esse momento,
a atitude correta de colocar-se inteiro no que estiver fazendo.
Prosseguir ... e sempre !
Determinação de propositos, disciplina e empenho,
capaz de encontrar satisfação e verdadeira realização pessoal
em tudo que estiver envolvido,
identificando-se com a alma quanto as escolhas assumidas.
Se achar que a vida é dura, uma luta,
o trabalho fica pesado,
voce se cobra, compete,
e a pessoa se torna chata.
A energia se contrai,
a pessoa se encolhe, diminui, se atemoriza
e uma resistencia interna se cria.
Por isso tudo se complica, se dificulta,
faz força, empurra, corre,
loucura sem fim.
É bom, se te faz feliz.
É saudavel, preserva e imuniza,
protege o coração, as tripas e o pensamento.
Não terá que buscar tratamentos preventivos,
imunizações artificiais ( falsas seguranças ),
truques e malabarismos forçados,
ou quem sabe, rezas pesadas para o babalaô de plantão.
Sofrimento é isso
quando se perde o entusiasmo, a curtição
e a rotina se torna sem graça.
A vida se mede pela paixão, pelo gosto,
pelo encantamento, pelo bem estar que proporciona,
e não pela vangloria das conquistas fugazes e itinerantes.
Lembra ainda
quando cantarolou pela ultima vez sua canção predileta ?
Não lembra ?
Ou até já se esqueceu dela completamente ?
Caminhos por onde não se passa com frequencia,
o matagal se encarrega de apagá-los por completo.
Não é função das coisas
preencher nossas necessidades de prazer e satisfação,
mas é pelo prazer e contentamento que as coisas são criadas.
A sensação de insuficiencia
não é uma questão de não ter,
mas de não se sentir satisfeito com o que se tem.
Antidoto para o sofrimento ?
A alegria ! Exclusiva e unicamente a alegria !
Fazer pela alegria que o fazer proporciona,
pelo prazer em si de estar aí
e não pelo resultado ou ganhos que possam seguir.
A alegria faz que esteja de bem consigo,
pois estará a seu lado, se tratando bem, se curtindo,
sem luta nem esforço,
pois quem faz força não compreendeu o significado do jogo.
O pardal não necessita de grandes feitos para sentir-se satisfeito.
Se a realização pessoal passa pela conquista,
identificação com a aparencia e os valores,
é porque tem uma visão equivocada de quem é.
Se acredita no esforço
é porque o estusiasmo não faz parte da sua agenda.
Não faça se não sentir tesão pelo que estiver fazendo.
domingo, 21 de outubro de 2012
" E..... QUEM MATOU MAX " ?
Chegou fazendo barulho, falando alto, gesticulando aos quatro ventos. Sorriso franco, aberto, solto como quem está de bem com a vida, sem problemas, conflitos ou qualquer forma de inquietação. A imagem tipica do sujeito bonachão, folgado e espaçoso. Sua faceirice lembrava o cãozinho quando reencontra novamente seu benfeitor. Barulhento mas festivo.
Aproximou-se do amigo, saudando-o, irreverente, com um tapão nas costas. "E dai, malandro, tudo em cima ? "
Sem esperar pela resposta, foi emendando : "que achou do remate final ? "
É sabado, ainda cedinho, com pouca gente nas ruas, à exceção dos caminhantes de sempre. Os sabiás não haviam concluido ainda sua saudação do alvorecer. Seu assobio melodioso era ainda ouvido em todas as direções.
Corria uma aragem fresquinha, propria desse momento, com as fragrancias da manhã, quando a atmosfera não se encontra ainda
poluida.
Local : praçinha da matriz, lado oposto aos balanços,
local dos aparelhos de alongamento. Perna direita sobre o cavalete, corpo inclinado sobre a perna, forçando os musculos da parte posterior da coxa.
Não conhecia, nem o que acabara de chegar, tampouco
o que se alongava. Sem me perturbar, continuei meu aquecimento. Como a distancia que nos separava era pequena, fiquei como ouvinte cativo da algazarra do inesperado visitante.
O que se alongava respondeu à saudação, que, no entanto, não me pareceu do mesmo nivel de entusiasmo do intruso brincalhão. Com voz abafada, de quem se encontra em posição incomoda, inclinado sobre a perna, com diafragma contraido, respondeu, perguntando : "que remate final ?"
A entonação da sua voz passou-me a impressão não estar a fim de conversa, talvez em função do momento, ou, quem sabe, o outro fosse um daqueles folgados, chato, espaçoso, sem desconfiança nem limites, e se fosse dar trela, aquilo bem que poderia não ter fim.
Deparar-se com perguntas burras sobre bobagens, principalmente para ter assunto ou em determinadas circunstancias, eleva o nivel de adrenalina, consumindo qualquer reserva de paciencia ou boa vontade. Cansa, desgasta e enche os tubos a não poder.
Percebi que a resposta deixou-o um tanto sem graça. Seu sorriso, há pouco franco e descontraido, foi recuando lentamente, murchando, até sumir de vez. Ficou embaraçado, mais talvez pela sua indagação não ter encontrado uma reação à altura, que, ao parecer dele, deveria ser evidente, em função da sua importancia.
A pergunta, mesmo sem ter sido clara, ao ver dele, não poderia deixar duvidas sobre o que estava sendo questionado, tal sua relevancia. Em função disso, teria que entendê-la assim mesmo.
( as coisas que nos são importantes, como podem deixar de ser importantes para os outros ?! Absurdo ! Falta de consideração... e por aí vai )
Um se alongava para iniciar a caminhada, o outro
querendo tagarelar sobre o final da novela. Deu a entender
que estava fazendo uma enquete, um ibope particular, para
saber o que as pessoas tinham achado sobre as deliberações
finais da "fantastica e emocionante" ( palavras dele )
ficção televisiva da noite anterior.
Enquanto dava os primeiros passos, iniciando a caminhada da manhã desse sabado, consegui ainda ouvir os comentarios finais do que se alongava, articulados em voz baixa, como quem fala para si mesmo : " .... e querem ser felizes " !
Os sabiás ainda cantavam, alheios às frivolidades e à tragicomedia humana.
( quem se importa com o que não importa, jamais compreenderá a importancia daquilo que verdadeiramente importa )
Voce tambem fez bolão com seus amigos para saber
quem matou Max ?....
sábado, 20 de outubro de 2012
AMBIÇÃO E MULHERES - QUAL A SEMELHANÇA ?
A ambição é possessiva. E uma vez capturado pelo seu feitiço, não encontra a pessoa outra alternativa que não seja seguir o destino por ela definido.
É uma energia feminina. É como uma mulher, e, como tal, adula, agrada, seduz. Faz com que o homem se sinta especial e envaidecido. É essa a forma como as armadilhas são arquitetadas.
E, se for encantar-se demasiado, o entusiasmo transformará a ambição na certeza de ser esse o unico caminho a ser seguido. Há outros caminhos, claro, mas sua astucia e presteza nos assegura que o caminho dela é o unico.
A cobiça é o corolario do medo. O efeito padrão, quase logico e natural perante nossa impotencia e a complexidade que o tema determina.
Já não nascemos aos berros, apavorados, sendo esse pavor que irá nos acompanhar ao longo de toda nossa
existencia ? O medo nos segue de um modo implacavel, frio, imperturbavel, presença pegajosa, como se fosse assombração. Não dá tregua nem folga, igual inimigo oculto, sempre à espreita, de tocaia, vigilia permanente. Tornamo-nos assim indefesos, e vulneraveis às suas manobras astutas, elaboradas com total hablidade.
A duvida e a incerteza quanto ao resultado de qualquer situação, criam invariavelmente o temor. Estando em permanente estado de alerta e sobressalto, tanto os pensamentos quanto as ações humanas serão motivados, em seu nivel mais sutil, por esse sentimento devastador.
As decisões tomadas em todas as esferas da vida, seja nos negocios, ou na industria, na politica, ou religião, nos departamentos diplomaticos das nações, nos envolvimentos economicos de investir, poupar ou consumir, tudo que se refere à guerra e paz, as determinações de acumular ou distribuir, unir ou dividir, os movimentos quanto à disputa ou conciliação, entre competir ou colaborar, compreender ou intransigir - serão sempre decisões referendadas, em ultima analise, por esse inimigo tão poderoso. O medo !
Desse modo, a motivação basica de tudo que realizamos na vida, se origina dessa atividade psiquica com seu poder implacavel de torturar.
Em verdade, aprendemos a conviver com o medo, que, por fim,
se torna subliminar, isto é, não mais percebido de forma nitida, manifesta e consciente. Será constatado de forma disfarçada, oculto nas motivações dos nossos procedimentos. Sabemos do medo pela
ambição que alucina, nos subordinando aos seus dominios, confiscando o bom senso e a sensatez. De igual modo, quando se perde o homem pelos caminhos da sedução e feitiço oferecidos
pela mulher. Diz-se que perdeu a cabeça ! Seria apenas a
cabeça ?
Aprendemos bem cedo que a sobrevivencia é do mais forte,
que o sucesso está na habilidade de se tornar esperto, diferente e melhor que o outro. E, ver-se como menos, insinua, instintivamente, a imagem de perdedor. Tem a ver com não dar conta, ser descartado, não alcançar seus objetivos. Ficar para tras. Ser ultrapassado. E objetivos não alcançados, remete ao conceito de fracasso. E fracasso, como equivalente à danação.
Frente a isso, fica claro, que buscará a ação que o medo justifica. E essa ação promovida pelo temor - qual será a dinamica do empreendimento quando a motivação estiver sob seu dominio ?
Dentro dessa baderna mental, haverá ainda espaço para o sossego ? Poderá algum dia finalmente encontrar a paz ?
O medo apequena, nos torna vulneraveis e indefesoso. Sendo um movimento interno, inacessivel por vias simples e rapidas, buscaremos, em tal caso, a solução atraves de uma postura externa. O movimento se fará então para fora, para os outros. Ação determinada pelo retorno, pela aprovação, pelas conquistas. Foi isso que aprendemos, todos, e é assim que a humanidade caminha. Se coloca como a alternativa mais acessivel e habitual para tentar libertar-se desse tormento tão desagradavel.
Mesmo assim, apesar de tantos esforços, permanece oculto em todas as voltas do caminho, rondando, sempre à espreita. Sem enfrentá-lo de frente, reconhecendo seus enredos, suas manobras, terá o medo posto fim à busca de redenção atraves do conhecimento.
Para tanto ,há que ser um homem forte, viver uma vida verdadeira, com propositos claros, identificando-se com eles. Tem de estar desperto, ter uma inabalavel confiança em si proprio e uma forma de autodisciplina que visa a realização pessoal. Não se esquivar dos esforços no sentido de enfrentar desafios. É isso que dará sentido e direção à vida. Não se deixando motivar pelo que está alem, pela recompensa dos seus esforços, pelo que o futuro possa trazer. Estará consigo mesmo, pelo que está ai, por este momento, pela curtição.
Sem isso, não se sentirá completo nem saciado. Haverá a necessidade indefinida de atulhar atraves de uma ação incessante e cansativa. A satisfação será momentanea e passageira, tendo que buscar cada vez mais e outra vez. Será abatido pelo proprio sucesso. Sucumbe frente ao triunfo, pois a motivação principal foi pelo medo. Alcançou seus objetivos, o medo, entretanto, permanece presente e inalterado. Andou tão longe e não chegou a lugar algum.
A vida não é uma maratona com largada e ponto de chegada.
Os louros e aplausos do mundo verá, finalmente, que são vazios de
significado e conteudo. São como pó ao vento que logo irá se desfazer, deixando em sua trilha um sentimento de desgosto pelo
vazio existencial que provoca.
O medo não foi superado, apesar das metas terem sido atingidas. O equivoco foi o que motivou o empreendimento. As
conquistas que não mobilizarem um movimento interno, no sentido da alegria de viver, uma sensação de paz e extase interior, se demonstrarão, antes da proxima esquina, como simples atrativo, chamariz enganosa que vitimiza e aprisiona.
Será abatido pelo sofrimento, decepção e por sentir-se perdido e
sem direção.
O aplauso virá do seu prazer de fazer aquilo, estando centrado em si. Não terá necessidade do aplauso das arquibancadas, da
admiração do mundo. Mesmo assim ele virá, o reconhecimento virá, no entanto, não irá importar-se pois estará satisfeito frente à sua postura, seu auto-reconhecimento.
A ambição lança mão do esforço que busca retorno, tendo em vista metas e reconhecimento. Ser bem sucedido, contudo, nas coisas do mundo, não é a verdadeira expressão de realização pessoal, pois não virá acompanhada dessa sensação de plenitude, de paz e sossego.
Se empenhará, sim, mas esse esforço virá da sua satisfação,
do seu contentamento, por estar se experimentando de formas tão
variadas, sendo eficiente e fazendo tudo bem feito. Busca a eficiencia, não pelo retorno, mas pela curtição. Curtir-se fazendo.
Por isso se sentirá bem. Sentir-se bem agora, por esse momento, e
não pelas coisas que virão depois. Não estará centrado no futuro,
no virtual, sempre à espera, num estado de eterna prenhez e de parto improvavel.
Não irá sabotar o presente com as promessas gloriosas de bem estar por tudo que haverá de vir. Depois !
Será que virá ?
O paraiso é sempre uma miragem, um devaneio em forma de uma ideia, de algo a ser alcançado num outro tempo. Assim, esse
momento se torna um obstaculo, algo a ser ultrapassado o mais
rapido possivel para chegar lá. Por isso a pressa, a afobação e a impaciencia que norteiam o funcionamento de tudo que fazemos
a cada momento. Sempre olhando para frente, porque agora é só
monotonia e chateação.
Quando, finalmente, não forem mais as criticas e os elogios
que determinarem a dinamica da vida, estará a pessoa ancorada
em outra realidade, num outro universo, sem o drama do medo,
nem a salvaguarda fantasiosa da ambição. Sem escoras nem muletas, se orientará por um impulso interno, com um proposito que transcende conquistas ou reconhecimento.
Verá então que a vida se modifica, tendo acesso ao verdadeiro significado do que seja viver.
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